Jihades – Parte 1

Despertei num sobressalto. As luzes das estrelas davam ao céu um tom prateado. O céu chorava junto com a terra a perda de tantos filhos. Sequei o suor da minha testa com as costas da mão ferida. Agarrei minha espada e a usei como espelho, verificando todos os ferimentos. Mirei aquela figura pálida diante de mim. Como pude ter sido tão fraca? Como pude deixar que Anni escapasse das minhas mãos e caísse naquele abismo? Minha doce Anni… A lembrança me fez sacudir ferozmente os ombros, num rompante de choro e raiva. Sentia-me tão pequena que era capaz de me esconder em volta dos meus próprios braços. Não sei por quanto tempo fiquei naquela posição fetal, mas a mistura de lágrimas, suor, raiva e dor me fizeram parar tão rapidamente quanto comecei. O que havia de errado comigo? Tinha que continuar a luta.

Levantei de supetão e senti o mundo rodar diante dos meus olhos. Cai desengonçada no chão de pedras o que fez com que gritasse de dor! “Cacete – pensei – já não basta tantos machucados e vou danar minha bunda agora também?!”. Sorri com meu pensamento irônico. Afinal, nem tudo mudou em mim. Senti o estômago embrulhar e um gosto ácido subir pela garganta e encher minha boca. Cuspi o líquido amarelo com sofreguidão e asco. Havia tempo que não comia alguma coisa que realmente me sustentasse. Limpei os lábios com a manga da jaqueta surrada e levantei novamente, agora com mais calma para não cair pateticamente de novo.

Olhei ao redor. Pedaços dos meus irmãos jaziam em todos os cantos. Um grito animalesco rebombou no ar. A criatura ainda estava rondando, procurando almas para levar consigo ao submundo, fazendo novos escravos eternos. Senti os pelos da nuca ficarem eriçados. Precisava agir. Rápido. Depressa!

“O que foi isso?” – pensei ao ouvir um arrastar de pernas. Empunhei minha espada. O barulho era sutil, mas o suficiente para me deixar alerta diante do caos. Alinhei a coluna e me preparei para um possível combate. Me escondi atrás de uma caçamba de entulho tombada no meio da rua. Olhei em direção ao som que já não existia. “Hei!” – gritei. Um soluço começou a invadir meus ouvidos. Corri naquela direção, já não me importando com os tentras que poderiam estar vigiando ainda o bairro. Estaquei quando me deparei com aquela pequena figura já conhecida de tantos embates.

“Zilah! Zilah!” – gritei desesperada. Corri desenfreadamente em direção ao corpo imóvel. Me ajoelhei ao lado daquela cabeça frágil e machucada e coloquei cautelosamente em meu colo. Lágrimas começaram a se misturar com meu suor, por mais que eu as tentasse conter. Abracei Zilah com força, apertando ela no peito dolorido, quando um sussurro quase inaudível soou.

“Calma… To viva, pelo menos ainda” – sorri com o tom sarcástico daquelas poucas palavras. Essa era a Zilah de sempre. Ah! Como era bom encontrar alguém conhecido em meio a tanto pavor.

“Zilah o que aconteceu? Quem fez isso com você?” – perguntei desesperada percebendo o corte na altura do abdômen. Pela profundidade e grau de queimadura, deveria ser uma espada de arcox. Aquela merda doía demais…

“Quem você acha? Um tentra soltou vários mulos por ai” – disse Zilah interrompendo meus pensamentos – “…dei a sorte de dar de cara com uns três. Consegui jogar dois na armadilha que Elle aprontou, mas um terceiro filho de uma grande puta me cercou e fez isso aqui!”

“E ele fugiu?”

“Claro que não! Acertei os miolos do idiota”

Só então notei o corpo com a cabeça deformada caído depois do muro. Deixei Zilah no chão e fui ver se a criatura ainda vivia. O corpo arroxeado com as características escamas esverdeadas estava morto. Mas as garras ainda eram perigosas, já que o veneno de suas unhas eram letais contra crianças e pessoas gravemente feridas. Contudo, era um santo remédio para…

“O que vai fazer?” – perguntou Zilah com dificuldade.

“Você esqueceu que o veneno disso aqui é ótimo para curar feridas causadas por arcox?” – respondi no mesmo tom sarcástico e arrogante. Afinal, Zilah não era a única entendida no assunto. Saquei minha espada e decepei as mãos e pés da criatura grotesca.

“Agora que você já se divertiu, podemos ir?”

“Pra onde exatamente? Não tem uma alma viva nesse lugar…”

Zilah respirou fundo. Compartilhamos aquele momento dolorido. Ninguém. Nada. Apenas sujeira, corpos mutilados e o sangue de nossos irmãos escorrendo pelo asfalto. Mas ainda éramos as mesmas. Ainda éramos Jihades.

(continua…)

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Boyhood: da Infância à Juventude – Review

BOYHOOD – DA INFÂNCIA À JUVENTUDE

2014 – Richard Linklater

 

Essa semana fui assistir ao tão esperado filme Boyhood do diretor Richard Linklater (de Escola do Rock e Antes da Meia Noite). O filme tinha algo de muito inusitado: foi gravado durante doze anos e, francamente, isso, por si só, já torna o filme um tanto quanto especial e diferente.

Acompanhamos durante os 165 minutos da película a evolução e maturidade do personagem central da história, Mason, interpretado por Ellar Coltrane, e sua relação com a irmã um pouco mais velha Samantha (Lorelei Linklater) e com os pais Olivia (Patricia Arquette) e Mason (Ethan Hawke). Seria injusto descartar a evolução dos demais personagens cuja maturidade influencia diretamente no comportamento e formação de Mason, mas o diretor decidiu, corretamente a meu ver, focar nas experiências da então criança.

A história começa em 2002, mostrando o personagem central com 6 anos de idade. A profundidade do olhar de Mason é algo que perdura durante todo o filme. O garoto possui uma construção interna que, no começo eu entendi como timidez, mas depois vi que nada mais era do que um mergulho e sensibilidade demasiada. A mãe, após separar-se de um namorado genioso, decide retornar à sua cidade natal com a intenção de retomar os estudos e correr atrás de sua vocação, deixada de lado por conta da maternidade. O pai, até então ausente, reaparece após a mudança, tentando tornar-se presente na vida dos filhos. Mason (“pai”), ao contrário de Olivia, tentou buscar seus sonhos, preferindo a liberdade do que a paternidade. Isso poderia jogar o espectador contra o personagem. Contudo, a linda e franca relação com que Mason (“pai”) tenta construir com seus filhos a partir de então, faz com que você sinta uma enorme compaixão por ele e acaba entendendo que o tempo dado foi necessário para sua evolução quanto pai.

A mãe, em contrapartida, dá seguimento a seus estudos e forma-se psicóloga. Possui, entretanto, um vazio profundo. Sua dedicação é inspiradora. Tenta ser exemplar em cada função que exerce. É engraçado, e digo isso como mulher, ver a frustração de Olivia quando uma decisão não traz o resultado esperado. Olivia representa de forma fiel e significativa o papel da mulher na sociedade contemporânea, ou melhor, o que a sociedade espera que uma mulher seja: mãe, mulher, profissional, dona de casa. Todos os cargos devidamente preenchidos com mérito e especialização. Olivia traz a frustração de quem não consegue cumprir todos os papéis, mas mostra entre idas e vindas de relacionamento frustrados, mudanças de casas e especialização profissional, que seu papel de mãe será sempre o principal.

A relação conturbada e companheira com a irmã é simplória. Algo que acontece em todas as relações entre irmãos. Não há nada além do desejo de provocar um ao outro. Mas, com o tempo, tornam-se parceiros, amigos e cúmplices. Nada tão meloso e irreal quanto as novelas globais. Talvez seja isso o que mantenha alguns sorrisos no rosto, pois é inevitável não sermos levados à nossa própria vida.

Nos anos de adolescência, Mason nos apresenta uma pessoa em busca de maturidade e sentido na vida. E encontra na fotografia sua maior paixão e forma de externar o que sente em relação ao mundo. Lindo e simples.

Quando Mason finalmente chega à Universidade, é inevitável não se sentir parte daquela conquista. Vimos o crescimento de uma criança de seis anos até sua entrada na vida adulta. Porém, talvez o momento do suspiro final, aconteça quando, do alto de rochedos, Mason, junto com mais três companheiros da Universidade, contemplam a paisagem. E ali, naquela fotografia graciosa, vemos que, por mais que tenha vivido tanto, a vida estava apenas começando para aquele jovem. E isso nos deixa com uma vontade de ver ou de pelo menos torcer para que a vida de Mason seja magnifica a partir dali.

Os atores amadurecem e crescem diante das câmeras. E esta é uma experiência incrível. Percebe-se que os anos que se passam para aqueles atores tornam mais ricos os personagens que interpretam. O filme não teria o mesmo encanto se tivesse sido realizado com atores diferentes para cada fase da vida. Há uma aproximação entre atores e personagens, uma fusão, como se fossem um só. A naturalidade com que agem, ano após ano, nos traz a certeza de que há vida ali, naquela tela de cinema.

Os diálogos dão um toque a mais. Muitas vezes tive medo do filme cair em algo blasé, mas o roteiro feito de forma inteligente e profundo nos momentos certos, não deixa o interesse cair. A trilha sonora é uma surpresa a parte. O diretor teve o bom senso de colocar as músicas correspondentes a cada ano do filme, começando por Yellow do Coldplay e, terminando o filme com Band on the Run de Paul McCartney, passando por Blink 182, Britney Spears, Lady Gaga.

A película é cotidiana. Simples e puramente cotidiana. Como se sua vida pudesse tornar-se um filme se alguém acompanhasse você durante um longo período e extraísse algumas determinadas emoções e situações. Talvez seja esse o ponto mais alto do filme: a simplicidade da vida; como amadurecemos ao longo dos anos e nos tornamos o que somos de acordo com a percepção que adotamos do mundo, de nossos familiares, de nossos amigos, enfim, do que nos cerca. Parece óbvio e bobo, não é? Mas o óbvio é o que torna esse filme delicado e atraente. O filme retrata a vida. A jornada da vida.

Espero que gostem, assistam pois vale a pena.

Ligia…!!!

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Som de Theremins

Olá a todos!

Hoje gostaria de falar da série Fundação, de Isaac Asimov. A série básica consiste de três livros: Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação. Foi publicada inicialmente entre as décadas de 1940 e 1950, sendo que o primeiro livro, Fundação, começou sua vida como uma série de oito contos publicados na revista Astounding Magazine entre maio de 1942 e janeiro de 1950. É um exemplo (inicialmente) do gênero conhecido como space opera, no qual temas baseados na história são aplicados numa ambientação de ficção científica. Embora vários dos temas usados por Asimov já estivessem circulando nas revistas de pulp fiction da época, a forma que ele lhes deu influenciou definitivamente a literatura, cinema e televisão que vieram depois. Cerca de 50.000 anos no futuro, a capacidade de viajar pelo hiperespaço é um fato cotidiano. Todos tem acesso a naves, aqueles com pouco dinheiro e tecnologia ruim apenas tem naves piores, mas ainda com capacidade de acessar o hiperespaço. Praticamente todos os planetas habitáveis da galáxia foram descobertos e povoados por seres humanos, e toda a galáxia está unificada politicamente num imenso Império Galático. No primeiro livro, Fundação, temos a introdução do Império e do brilhante psicohistoriador Hari Seldom, que desenvolveu matematicamente a ciência da psicohistória a níveis nunca antes atingidos, com isso prevendo a iminente queda do Império Galático. Ciente de que o caos resultante geraria imensas quantidades de sofrimento humano, Seldom toma providências para encurtar o tempo necessário ao surgimento de um segundo Império, através do estabelecimento da Fundação. No segundo e terceiro livros, com a Fundação já estabelecida, temos os percalços que se apresentam ao plano de Seldom e como são resolvidos. Se você conhece Star Trek TOS, Star Wars e Duna (e certas versões hiper-simplificadas de marxismo-leninismo), vai achar vários dos temas extremamente familiares.

Nos anos 40 do século XX, a tecnologia mais avançada, que mais falava à imaginação dos leitores de ficção científica, era a energia nuclear. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) estava em curso nos Estados Unidos o Projeto Manhattan, no qual os EUA, em colaboração com o Canadá e a Inglaterra, buscavam desenvolver armas nucleares, entre outras aplicações como a radiologia e os reatores nucleares usados em submarinos e porta-aviões. Porém, computadores à base de transistores e não tubos de vácuo só surgiriam a partir de 1955, nos dando quase uma década durante a qual era perfeitamente plausível pensar em naves espaciais movidas por reatores nucleares que eram versões melhoradas dos usados em submarinos mas nas quais nada era computadorizado e a maneira mais rápida de fazer cálculos era manualmente por um ser humano. Crescendo nos anos 80, assistindo reprises fora de ordem de Star Trek TOS na televisão, me parecia que a melhor maneira de selecionar material de leitura interessante era buscar ficção científica. Tendo encontrado na biblioteca da escola O Fim da Eternidade, marquei o nome de Isaac Asimov e passei a buscar seus livros em outros lugares, encontrando logo a Trilogia da Fundação editada pela Hemus. Para quem estava no ginásio, tendo que lidar com o que passava por introdução à literatura na época (o livro mais emocionante recomendado foi Capitães da Areia do Jorge Amado, diga se não é para desanimar), o estilo de Asimov era um imenso refresco. Ele escrevia de forma rápida e sucinta, focada no enredo, confiando que seus leitores se interessariam pela história contada sem necessidade que ele nos manipulasse emocionalmente gritando “Você não tem dó dessa pobre criança?!” Na década de 80 eu tinha muito pouca noção da história do desenvolvimento da energia atômica, e conhecia computadores de filmes como War Games e Tron. Descobrir a data de publicação da ficção científica que eu estava lendo na época me fez captar (anos antes de conhecê-la) a frase de Willian Gibson “The future is already here — it’s just not very evenly distributed.” Porém há ainda uma outra camada de estranheza dada pelo fato de que algumas das previsões de novas tecnologias de Asimov são certeiras, criando a ilusão de algo escrito numa data posterior, o que gera um choque quando a seguir nos deparamos com uma tecnologia ou convenção social que não sobreviveu aos computadores a válvula. O que eu considero o charme de ler os primeiros livros da Fundação hoje, seis décadas após sua gênese, é que eles iluminam a história das expectativas humanas. Nós podemos olhar o que as pessoas pensavam que seria fácil, o que nem imaginavam que poderia acontecer, e com isso calibrar nossas expectativas e planejamentos para o nosso futuro. As pessoas na década de 30 imaginavam que como pianos são caros, nós todos teríamos theremins em casa que usaríamos para nos expressar musicalmente como os mais ricos faziam com pianos no século XIX. Imaginavam corretamente que o avanço da tecnologia democratizaria o acesso à música, mas ao serem demasiado tímidos avaliando como as novas tecnologias alterariam a própria maneira das pessoas conviverem e interagirem, nem cogitavam da possibilidade de aparelhos com a capacidade de armazenar e reproduzir dias de música, como uma propriedade acessória de um aparelho de uso comum e individual (isso o mais importante). Cinquenta mil anos atrás, todos os poucos seres humanos no planeta viviam como caçadores e coletores, e muitas coisas que consideramos confortos da vida moderna lhes pareceriam matéria de pesadelo. Além de pela mera passagem do tempo ter migrado de gênero da ficção científica hard para um curiosíssimo atomic punk invertido, os livros são divertidos e rápidos de ler, como um Dan Brown que não considera seus leitores idiotas. Os problemas que surgem são resolvidos pelos personagens através de astúcia e inteligência, e quando eventualmente dependem de sorte e/ou força bruta, isso é considerado uma patética tragédia por todos os envolvidos.

Fundação é a ficção científica quintessencial, sua força está na exploração de idéias. Quando criticado sobre caracterização, diálogos e ritmo, a resposta de Asimov era que ele só se preocupava com o necessário para poder estabelecer e explorar todas as idéias que o interessavam. Por isso e pelas escalas de tempo envolvidas, Fundação tem sido por um longo tempo considerada infilmável (pelo próprio Asimov para começar). Porém, talvez inspirada pelo fato de que o mesmo já foi dito de A song of ice and fire, recentemente a HBO iniciou um projeto de adaptação para a TV com Jonathan Nolan. Vários já tentaram e falharam, mas a HBO tem se mostrado digna de consideração.

Blog Literatura Prosa

Naruto !

Naruto

Hail Terculius Rex!

Estou aqui novamente, mas dessa vez para defender um mangá fantástico e muito popular, mas que é bastante desprezado por muitos da minha geração como já cansei de ouvir no passado (quando ainda conversava com as pessoas) e muito do que ouvi não passava de preconceito contra o desenho da moda sempre enfatizando que era pior que Dragon Ball ou Cavaleiros mais do que por problemas intrínsecos ao título em si, e confesso que  seus irritantes fillers do anime quase me desanimaram, mas a mudança para o mangá garantiu meu interesse.

Minha história com Naruto começou com  dois dvd´s e 25 episódios do anime em 2005 e em pouco tempo tratei de adquirir mais e mais dvd´s de procedência duvidosa até completar o que seria a primeira fase do mangá no anime(sem contar os fillers). Até esse ponto Naruto é uma história padrão e muito divertida com bons personagens e boas lutas mas nada extraordinário ou que tenha um apelo mais geral do que para seu público. A primeira fase conta com alguns momentos memoráveis como a luta de Naruto com Gaara e  a contenda com Sasuke no vale do do fim, mas depois disso os fillers infinitos me afastaram do anime definitivamente já que com cada vez menos tempo livre começou a me irritar acompnhar histórias sem muito sentido do irmão perdido do Ibiki entre outras e  etc etc etc.

Mas é a partir da segunda e derradeira etapa que o manga mostra a que veio, apresentando um Naruto adolescente e mais bem treinado e a ameaça da Akatsuki pairando sobre o mundo ninja. É aí que vemos o verdadeiro potencial da história aflorar quando a necessidade do protagonista ressaltar seu “jeito ninja” de nunca desistir nem abrir mão do que é importante para alcançar seus objetivos encontra dificuldades que vão lapidando o personagem e o levam a relfetir sobre seus atos, sobre a natureza dos conflitos  e até mesmo a perder o controle em alguns momentos da história afinal ele também é humano.  Também temos o desenvolvimento de outros personagens muito interessantes que valem por si só diversos capítulos da série que tem como atributo manter um grande número de personagens cativantes.  Nessa etapa também são trabalhados temas mais sérios como ódio, ressentimento, desamparo e perdão. A sequência da invasão de Konoha por Pain e sua luta com Naruto é um dos melhores momentos da história,  quando o herói enfrenta um adversário poderoso numa luta animal e se vê confrontado com um dilema ao ser conduzido por seu adversário numa luta feroz acaba por sucumbir ao ódio e a vingança que tanto almeja resolver, mas é felizmente  impedido num dos momentos mais tocantes da saga (até rola uma lágrima) este é um dos momentos em que o manga apresenta uma questão muito delicada, como parar o ciclo da vingança gerado pelos conflitos e guerras inerentes a atividade ninja? Como exercer o perdão quando se deseja retribuição? Vivendo num país violento como o Brasil, com discussões sobre menoridade penal,  pena de morte e principalmente crimes cada vez mais violentos cometidos por pessoas cada vez mais cruéis, procurar uma saída fora da violência contra (ou pela) a violência é dificílimo, e apesar de simplificar o manga não trata essa questão de forma leviana.

O que chama a atenção nesses nove anos em que acompanho Naruto, é que a obra evoluiu e se aperfeiçoou bastante, não deixou de ser shonen(algo como teen, não sou especialista) mas elevou sua qualidade consideravelmente me mantendo interessado e ansioso em saber o que vai acontecer a seguir, qualidade esta que se espera de toda série, claro, mas confesso que em Naruto essa espera me empolga mais do que em mangas que considero de maior qualidade e melhor  estruturados como Full Metal Alchemist.

As intermináveis lutas e golpes mirabolantes estão lá  em quantidade abundante, mas permeados de momentos tocantes e bem colocados com simplicidade e objetividade  alcançando um grande público sem entediar quem curte algo mais elaborado, não vou falar que é um primor  mas para uma obra popular é melhor do que se espera a primeira vista. Como em toda obra com essa quantidade de personagens e lutas a relação de poderes entre os personagens acaba por perder o referencial afinal entendemos que o controle do chacra é um controle de parte da alma, podendo guardar a vontade e personalidade de alguém em um selo por décadas. A implicação de certos jutsus é simplesmente obscena sendo que dá pra elaborar críticas bem embasadas sobre a falta de cuidado nesse nivelamento numa obra que o equilíbrio de forças é essencial, but I digress.

Se você gosta de manga e anime eu recomendo Naruto, dê uma chance e garanto que o Shippuden não lhe decepcionará. Não é a obra prima do século XXI mas garante um excelente entretenimento. O mangá está muito perto de acabar no Japão, se resolver dar uma chance blinde-se contra spoilers, se leu esse texto e ainda acha que Naruto é babaquice recomendo Ichi the Killer do Hideo Yamamoto aquele  mangá doentio e legal  do cão danado.

Classificação:   sofiazinhasofiazinhasofiazinhasofiazinha

Felmota.

P.S – Li o último capítulo do mangá essa semana,achei melhor que o final de Gantz muito foda excelente.  Mas fica com nota 4 mesmo.

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Podcast 001 – Anabelle: o filme

Podcast 001 – Anabelle: o filme

Olá Entrópicos, é com imensa felicidade que disponibilizo nosso primeiro podcast.

Gehenna, Felmota, Patrícia e Jujumeo falam sobre o filme Anabelle, que estreiou nos cinemas há pouco tempo.

Espero que gostem e outros 1000 virão…!!!

Download Podcast 001 – Anabelle

Não se esqueçam de dar Curtir no Facebook e compartilhar no Twitter…!!!

Abraços..!!

Gehenna

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Ada ou Ardor

Ada ou Ardor

Olá a todos! O objetivo neste espaço é recomendar e ou comentar livros, filmes etc. com temática de ficção científica e/ou fantasia. E também falar de outras coisas que possam ser vagamente relacionadas. A recomendação de hoje é um livro de características épicas do mesmo autor do famoso Lolita. Escrito por Vladimir Nabokov em 1969, Ada ou Ardor trata da historia de amor entre Ada e Van, primos que se conhecem e apaixonam quando Ada tem doze  Van quatorze anos. Seu romance vai sobreviver a oito décadas, múltiplas traições e à descoberta de seu verdadeiro parentesco. Porém, à medida que o livro progride, cada vez mais incongruências históricas e geográficas se acumulam e a certo momento comenta-se en passant que a história se passa na AntiTerra. A tecnologia na AntiTerra é adiantada em alguns pontos, atrasada em outros e em alguns simplesmente estranha. A tecnologia de comunicação se baseia em água, os personagens se comunicam através de hidrofones aos quais atendem falando a l’eau.  Isso reforça a importância da água como chave para interpretações mais aprofundadas do livro. O livro é divertido, sexy, amoral, repleto de referências e trocadilhos em quantidades pratchettianas – trocadilhos trilíngues usando inglês/francês/russo são comuns mas não os únicos. À época em que li o livro tinha apenas vagas noções de inglês, e a tradução de Pinheiro de Lemos ajudou ao apresentar imediatamente e com naturalidade qualquer explicação necessária. Ada ou Ardor tem também momentos de meta e de comentários à literatura e à importância da narrativa. Todos esses elementos indicam que o Livro se presta a outras leituras além da imediata e superficial. Um romance proibido, permitindo vislumbres de história alternativa na prosa cuidada e descritiva de Nabokov. Um deleite.

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Homenagem ao Jovem Nerd

Lambda Lambda Lambda Nerdixxxxxxxxxxxxs!!! , de volta por aqui hoje farei um post um pouco mais pessoal que envolve desde contar um pouco de minha história e sua relação com o Jovem Nerd e a criação deste site.

Como todos bem sabem sou um nerd, hoje em dia não sei exatamente o que é isso, mas vou ficar com a definição do Wikipedia (é um termo que descreve, de forma estereotipada, muitas vezes com conotação depreciativa, uma pessoa que exerce intensas actividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares. Por essa razão, um nerd muitas vezes não participa de atividades físicas e é considerado um solitário pelas pessoas. Pode descrever uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia), mas devo acrescentar que hoje em dia a conotação negativa da palavra nerd está bem menos exaltada.

Além de nerd, também sou músico e professor, minhas paixões sempre foram os “assuntos nerds”, em especial RPG, literatura fantástica, e música (principalmente metal, clássica e trilhas sonoras). Tenho 31 anos, quase 32, peguei a fase dos cavaleiros do zodíaco na TV manchete, a ascensão e queda de Vampiro: a Máscara, assisti Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei na estréia no dia de natal, mas além de tudo isso, assim como acredito todo nerd, tinha sempre uma grande vontade de poder viver e trabalhar com os assuntos que sempre gostei, o que no Brasil é realmente complicadíssimo, então me aparece o Jovem Nerd.

Inicialmente minha relação com o Jovem Nerd não começou com os Nerdcasts, e sim com a Batalha do Apocalipse de Eduardo Spohr, até então eu comprei o livro sem saber o que era, de quem era, qual o contexto que foi criado e comercializado. Eu simplesmente li o livro e amei, descobri que tinha uma versão mais completa com imagens e textos extras, fui atrás, comprei, dei para um amigo a minha antiga versão “normal”, e divulguei o livro (o qual ainda farei uma crítica aqui). Assim continuei minha saga com os livros de Eduardo, Filhos do Éden e Anjos da Morte.

Então, descobri o site Filosofia Nerd (http://filosofianerd.blogspot.com.br/) do Eduardo Spohr e coloquei nos meus bookmarks, lá estava um link para o Jovem Nerd (http://jovemnerd.com.br/) que então conheci, isso devia ser por volta de 2011.

Até meados de Junho de 2014 não sabia nem o que eram podcasts (eu sei que estava por fora do mundo, admito), mas descobri o que eram com o Nerdcast (http://jovemnerd.com.br/categoria/nerdcast/). Então me apaixonei, não pelo Allotoni e o Azaghal, mas por esse novo mundo que até então me era desconhecido e que ao poucos me foi apresentado pelo nerdcast.

Comecei a ouvir quase que sem parar o nerdcast, já estou a quase 3 meses ouvindo, e ainda não consegui ouvir todos. Sendo um deleite conhecer aos poucos a vida e o conhecimento desse grupo de amigos nerds, comecei a ver que eles têm uma história de grande sucesso e que me inspirou a correr atrás dos meus sonhos, estes que envolvem tudo que é nerd. Nesse contexto foi criado o Apocalipse Nerd, num dia de grande impulso toda idéia pareceu vir do nada, mas no fundo sabia que uma semente que havia sido plantada há muito tempo germinou graças ao Jovem Nerd.

Pessoalmente tenho muito em comum com o Allotoni e Azaghal, a questão deles conhecerem bem a cidade de São Lourenço em MG, lugar que frequentei muito e poucas pessoas conhecem suas peculiaridades; neste site tenho um grande amigo como co-autor o felmota; o fato de terem se mudado para Curitiba (isso eu não sei porque), mas essa era uma vontade que apareceu há uns bons 2 anos; minha noiva ser carioca e tudo que falavam do Rio eu conseguia entender, e muitas outras coisas.

O mais engraçado de se ouvir os podcasts é que você começa criar uma relação de amizade com as pessoas que estão falando, isso é muito doido. Consegui observar a personalidade de cada pessoa que falava frequentemente nos podcasts, além do Allotoni e Azaghal, o Tucano, Bluehand, JP, Eduardo Spohr. E o mais doido foi observar a trajetória de sucesso deles; como conheceram o Paulo Coelho e o Silvester Stallone, como ajudaram o Eduardo Spohr a publicar a Batalha do Apocalipse, como fizeram sessões de RPG e deram vida com o Leonel Caldela em “A Lenda de Ruff Ghanor”, e como começaram a fazer um ótimo trabalho no Brasil sobre assuntos que muitos gostam e poucos têm coragem de trabalhar.

Cara isso é demais!

Gostaria muito de deixar meus mais profundos agradecimentos ao pessoal do Jovem Nerd, em especial Allotoni, Azaghal. E também ao Eduardo Spohr, pela maravilhosa literatura que criou.

MUITO OBRIGADO, pois acredito que sem vocês provavelmente não teria conseguido observar o caminho que agora decidi enfrentar e está me fazendo muito feliz. Existem momentos de grande mudança na vida, assim como o Paulo Coelho ao andar por Santiago e Compostela resolveu mudar seu paradigma, eu ao ouvir o nerdcast resolvi mudar o meu.

Sem palavras para agradecer…

Ramairá (Gehenna)…!!!

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