Boyhood: da Infância à Juventude – Review

BOYHOOD – DA INFÂNCIA À JUVENTUDE

2014 – Richard Linklater

 

Essa semana fui assistir ao tão esperado filme Boyhood do diretor Richard Linklater (de Escola do Rock e Antes da Meia Noite). O filme tinha algo de muito inusitado: foi gravado durante doze anos e, francamente, isso, por si só, já torna o filme um tanto quanto especial e diferente.

Acompanhamos durante os 165 minutos da película a evolução e maturidade do personagem central da história, Mason, interpretado por Ellar Coltrane, e sua relação com a irmã um pouco mais velha Samantha (Lorelei Linklater) e com os pais Olivia (Patricia Arquette) e Mason (Ethan Hawke). Seria injusto descartar a evolução dos demais personagens cuja maturidade influencia diretamente no comportamento e formação de Mason, mas o diretor decidiu, corretamente a meu ver, focar nas experiências da então criança.

A história começa em 2002, mostrando o personagem central com 6 anos de idade. A profundidade do olhar de Mason é algo que perdura durante todo o filme. O garoto possui uma construção interna que, no começo eu entendi como timidez, mas depois vi que nada mais era do que um mergulho e sensibilidade demasiada. A mãe, após separar-se de um namorado genioso, decide retornar à sua cidade natal com a intenção de retomar os estudos e correr atrás de sua vocação, deixada de lado por conta da maternidade. O pai, até então ausente, reaparece após a mudança, tentando tornar-se presente na vida dos filhos. Mason (“pai”), ao contrário de Olivia, tentou buscar seus sonhos, preferindo a liberdade do que a paternidade. Isso poderia jogar o espectador contra o personagem. Contudo, a linda e franca relação com que Mason (“pai”) tenta construir com seus filhos a partir de então, faz com que você sinta uma enorme compaixão por ele e acaba entendendo que o tempo dado foi necessário para sua evolução quanto pai.

A mãe, em contrapartida, dá seguimento a seus estudos e forma-se psicóloga. Possui, entretanto, um vazio profundo. Sua dedicação é inspiradora. Tenta ser exemplar em cada função que exerce. É engraçado, e digo isso como mulher, ver a frustração de Olivia quando uma decisão não traz o resultado esperado. Olivia representa de forma fiel e significativa o papel da mulher na sociedade contemporânea, ou melhor, o que a sociedade espera que uma mulher seja: mãe, mulher, profissional, dona de casa. Todos os cargos devidamente preenchidos com mérito e especialização. Olivia traz a frustração de quem não consegue cumprir todos os papéis, mas mostra entre idas e vindas de relacionamento frustrados, mudanças de casas e especialização profissional, que seu papel de mãe será sempre o principal.

A relação conturbada e companheira com a irmã é simplória. Algo que acontece em todas as relações entre irmãos. Não há nada além do desejo de provocar um ao outro. Mas, com o tempo, tornam-se parceiros, amigos e cúmplices. Nada tão meloso e irreal quanto as novelas globais. Talvez seja isso o que mantenha alguns sorrisos no rosto, pois é inevitável não sermos levados à nossa própria vida.

Nos anos de adolescência, Mason nos apresenta uma pessoa em busca de maturidade e sentido na vida. E encontra na fotografia sua maior paixão e forma de externar o que sente em relação ao mundo. Lindo e simples.

Quando Mason finalmente chega à Universidade, é inevitável não se sentir parte daquela conquista. Vimos o crescimento de uma criança de seis anos até sua entrada na vida adulta. Porém, talvez o momento do suspiro final, aconteça quando, do alto de rochedos, Mason, junto com mais três companheiros da Universidade, contemplam a paisagem. E ali, naquela fotografia graciosa, vemos que, por mais que tenha vivido tanto, a vida estava apenas começando para aquele jovem. E isso nos deixa com uma vontade de ver ou de pelo menos torcer para que a vida de Mason seja magnifica a partir dali.

Os atores amadurecem e crescem diante das câmeras. E esta é uma experiência incrível. Percebe-se que os anos que se passam para aqueles atores tornam mais ricos os personagens que interpretam. O filme não teria o mesmo encanto se tivesse sido realizado com atores diferentes para cada fase da vida. Há uma aproximação entre atores e personagens, uma fusão, como se fossem um só. A naturalidade com que agem, ano após ano, nos traz a certeza de que há vida ali, naquela tela de cinema.

Os diálogos dão um toque a mais. Muitas vezes tive medo do filme cair em algo blasé, mas o roteiro feito de forma inteligente e profundo nos momentos certos, não deixa o interesse cair. A trilha sonora é uma surpresa a parte. O diretor teve o bom senso de colocar as músicas correspondentes a cada ano do filme, começando por Yellow do Coldplay e, terminando o filme com Band on the Run de Paul McCartney, passando por Blink 182, Britney Spears, Lady Gaga.

A película é cotidiana. Simples e puramente cotidiana. Como se sua vida pudesse tornar-se um filme se alguém acompanhasse você durante um longo período e extraísse algumas determinadas emoções e situações. Talvez seja esse o ponto mais alto do filme: a simplicidade da vida; como amadurecemos ao longo dos anos e nos tornamos o que somos de acordo com a percepção que adotamos do mundo, de nossos familiares, de nossos amigos, enfim, do que nos cerca. Parece óbvio e bobo, não é? Mas o óbvio é o que torna esse filme delicado e atraente. O filme retrata a vida. A jornada da vida.

Espero que gostem, assistam pois vale a pena.

Ligia…!!!

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Podcast 001 – Anabelle: o filme

Podcast 001 – Anabelle: o filme

Olá Entrópicos, é com imensa felicidade que disponibilizo nosso primeiro podcast.

Gehenna, Felmota, Patrícia e Jujumeo falam sobre o filme Anabelle, que estreiou nos cinemas há pouco tempo.

Espero que gostem e outros 1000 virão…!!!

Download Podcast 001 – Anabelle

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Abraços..!!

Gehenna

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Crítica – Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário

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Olá companheiros(as), estou aqui iniciando meu primeiro post e o primeiro post do blog, logo de início falando sobre o último filme dos Cavaleiros do Zodíaco, “CDZ: a Lenda do Santuário”.

Finalmente um filme que foi uma redenção a todo questionamento sobre a série clássica, que tinha muitos problemas de continuidade, de roteiro e de diálogo. Convenhamos que Massami Kurumada foi um gênio em escolher o material para criar CDZ, mas sua capacidade de desenvolvimento sempre foi pobre. Tirando o fato de que quando era criança, não estava nem ai para continuidade ou roteiro, Kurumada criou um mundo muito interessante, com armaduras magníficas e uma grande mistura de panteões, com destaque para o Grego.

Outro fato muito interessante e que acredito que foi o sucesso de Cavaleiros na época é que foi o primeiro desenho a mostrar na TV aberta lutas fantásticas e épicas, algo que era quase inexistente, bem como os animês em geral que eram vendidos em fita de vídeo e EVENTUALMENTE traduzidos com legendas feitas por fãs.

Vamos ao filme:

Spoiler Alert

Primeiro, acredito que para se fazer uma crítica precisa, é necessário entender o contexto no qual o filme foi criado.

Logo de cara da pra ver que o filme tinha um baixo orçamento, que foi todo usado para o molde das armaduras e personagens e em menor extensão no cenário. Isso fez com que a parte de animação e consequentemente a história sofressem. Além disso eles tinham 73 capítulos de Animê para 1 hora e meia de filme, sendo os primeiros 35 explicados em 5 minutos pelo Tatsumi no carro com a Saori.

Outro fator negativo foi a indefinição de um público, de um lado você tinha as crianças, do outro os antigos fãs, que estão localizados principalmente na América Latina, França e Itália. Isso fez com que o filme não agradasse os dois públicos plenamente.

Porém, devo dizer que esta é uma crítica positiva, pois eu adorei o filme. Depois de tanta agonia e perguntas intermináveis sobre o porque os cavaleiros de ouro, não viram quem era a verdadeira Athena, porque em toda santa luta os cavaleiros de ouro falavam: “você é um mero cavaleiro de bronze, não pode derrotar um cavaleiro de ouro que tem o poder de um Deus”, para em 5 minutos estarem deitados no chão, depois de fazerem Seiya e seus companheiros de saco de pancadas infinitas e à velocidade da luz, isso sem nem mesmo testemunharem o fim do universo chegando nessa velocidade.

Mas não, isso não acontece no filme. O primeiro aspecto extremamente positivo foram as armaduras, que ficaram impecáveis, além de cobrir todo o corpo do cavaleiro, na hora da luta todas fechavam a máscara. Destaque para as armaduras de Touro e Gêmeos. Também a animação dos poderes dos cavaleiros deu uma boa melhorada. Destaque para a Excalibur de Shura.

Depois da “enrolação” inicial ao chegarem na primeira casa (Áries) em um santuário flutuante em cima de Grécia, onde seria impossível dar a volta para chegar ao grande mestre, os Cavaleiros de Bronze encontram Mu que logo mostra para Seiya, com seu ímpeto imbecilóide levemente melhorado, que seu poder realmente não é nada perto do de um cavaleiro de ouro. Mu logo percebe que aquela era a Athena verdadeira e fala para os Bronze irem na frente enquanto Mu protegeria a Athena e os acompanha junto na subida.

Na segunda casa de Touro, encontrava-se Aldebaran que FINALMENTE virou um bom representante de cavaleiro de ouro e assim como no animê desafiou o poder do Seiya que novamente tomou uma surra, para depois destruir o chifre de Aldebaran que então revela que já sabia tudo e que confirmou isso com a chegada de Mu. Ele realmente da a entender que é a muralha que todos os cavaleiros falam, é intransponível. A armadura de Touro realmente contribuiu para essa idéia, com um tamanho e fator de proteção muito grandes e uma máscara matadora para completar. Aldebaran então, pega Athena no colo, pois é o mais forte e também sobe as casas com os Bronze e Mu exercendo sua principal função que é proteger Athena.

Logo após passar direto pela casa de Gêmeos que estava vazia, sem a palhaçada de lutar somente contra a armadura, chegam à casa de câncer, um dos momento mais polêmicos do filme e que mais desagradou os antigos fãs em detrimento dos mais novatos. Na casa de Câncer encontram um Máscara da Morte, que é uma mistura de Jack Sparrow com um Coringa afetado por uma torturante sessão de cócegas nos pés feita com penas de pato assado. Em sua triunfante apresentação musical com suas máscaras coloridas e felizes, MdM manda Shiryu e Hyoga para o Seikishiki, sendo o segundo interceptado por Kamus e levado à casa de Aquário.

As lutas então acontecem em paralelo, Kamus e Hyoga, se matam com a Execução Aurora e Shiryu mata Máscara da Morte sem armadura depois que a sua o rejeitou, provavelmente por breguice.

Assim chegam Seiya e Andromeda em Aioria, que está dominado pelo Grande Mestre e destrói os dois como se realmente nada fossem. Então se levantam e Seiya tenta distrair Aioria para que Shun seguisse em frente, o Cavaleiro de Leão então está prestes a dar o golpe final em Shun, quando é interceptado por Shaka, que finalmente atende à sua reputação como o Cavaleiro mais perto de Deus, mostrando que já sabia de tudo e estava esperando somente o momento certo para se revelar. Shaka então acorda Aioria de sua dominação, e todos sobem.

Chegando em Escopião, Seiya e Shun que estavam na frente, encontram Miro a Amazona de Ouro de Escorpião, isso mesmo, uma mulher. Com um golpe ela manda os dois incautos para a casa de Sagitário, onde Shura também estava. Sagitário vira o palco de uma batalha sangrenta e unilateral onde os Cavaleiros de Ouro novamente largam o aço nos pobres coitados de bronze, sendo que Seiya chega a ser morto e Shun também está prestes a morrer quando Ikki interfere. Sua participação basicamente se resume a isso, depois de matar Sagita no começo do filme com um só golpe, ele toma também umas porradas de Shura e acabou, sem mais Ikki, talvez a maior decepção do filme, por não ter aparecido muito mais, já que sua armadura e seu ego estavam impecáveis. O filme deu a entender que o Ikki já teria um poder imenso e só pra não ficar feio tomou uma porradinha do Shura, mas ele apareceu TÃO pouco que nem é possível escrever sobre ele.

Com o aparecimento de toda a galera que vinha atrás, Shura e Miro vêem que o Grande Mestre armou para eles, e todos partem para cima. Neste mesmo momento Afrodite de Peixes está inquirindo o Grande Mestre sobre toda aquela confusão, exigindo uma explicação (até o Afrodite não é um grande imbecil, ele realmente queria proteger a Athena). Então Saga de Gêmeos se revela com seu golpe “Outra Dimensão” que teleporta e mata Afrodite no pé dos outros cavaleiros.

Saga então, vendo que está em apuros, invoca uma estátua gigantesca que era umas estátuas que guardavam o santuário de Athena e começa a destruir todo o santuário, para assim distrair os cavaleiros de Ouro e não ter de lutar contra 11 cavaleiros sozinho. Tudo bem que somente um cavaleiro de ouro era necessário, mas essa vou deixar passar Kurumada. Então revelando que tinha um imenso poder, por ser o Grande Mestre, atira umas bolas de fogo na cidade em baixo para tocar o terror geral. Então Athena revive Seiya com a ajuda do poder da amizade dos cavaleiros. Que sobem para tomar porrada do Saga, que quando está prestes e dar o golpe final em Athena, surpreende-se com a chegada de Seiya saltando para salvá-la.

Finalmente começa o embate final, Seiya vs Saga, que então revela a armadura mais bem feita de todas as 12, muito bonita, com temática dupla nas cores verde e amarelo, cores do nosso amado país. Não só a armadura, mas também os poderes de Saga refletem essas cores e numa “Explosão Galáctica” revela a Seiya que sua armadura de bronze feia e mal feita, não aguentará o poder de tal golpe. E assim acontece, Seiya tenta resistir à Explosão Galáctica, mas sua armadura começa a virar farelos e quando está prestes a sucumbir aparece a Armadura de Sagitário para protegê-lo e assim com um golpe reverso reforçado pelo sétimo sentido que acabara de despertar, atinge Saga, que agonizante se transporta para um tipo de Estátua Simbiótica do tamanho do Templo de Athena, e atira um raio de tamanho colossal em cima dos cavaleiros e Athena.

Neste meio tempo é mostrada a luta dos cavaleiros de Ouro contra a estátua, que toma um golpe de cada cavaleiro e é finalizada por uma bela animação da Excalibur de Shura.

Finalmente, Saga começa a atirar para todos os lados, bola de fogo no céu, raio colossal destruindo o santuário, fotos comprometedoras do Dohko na festa da vitória contra Hades 200 anos atrás e tudo mais o que pode. Não foi suficiente, Seiya em sua nova armadura, que tem asas e inclusive voa, pega Athena no colo e começa voar desviando de todos os poderes, menos uma coisa que não queria ter visto na foto do Dohko, e com a ajuda de Athena, a ajuda de Athena, a ajuda de Athena, que coloca seu poder na flecha de Sagitário, Seiya atinge Saga bem no peito e numa explosão solar, limpa todo o santuário do mal, menos a imagem da foto que ficou na sua cabeça.

Se você demorou mais de uma hora para ler esse post, provavelmente você leu as lutas em tempo real como aconteceram e na minha opinião esse foi o pior dos piores defeitos do filme. Ficamos com aquele gostinho de quero mais, ver esses novos e inteligentes Cavaleiros de Ouro, comprometidos com a proteção de Athena, ver os cavaleiros de Bronze tomarem uma surra, mas serem muito esforçados. Ver os magníficos poderes em HD e efeitos de animação nunca antes vistos num produto Cavaleiros do Zodíaco.

Espero que gostem, pois eu gostei muito do filme. E realmente espero uma continuação.

E gostaria que me explicassem porque raios o público latino americano, francês e italiano não é suficiente para que não se produza nem uma terceira temporada de um Lost Canvas em desenho. A quantidade de pessoas que apreciariam algo bem feito é enorme e se eles querem sucesso realmente deviam sair um pouco da mentalidade que somente o Japão é mercado consumidor.

Abraços, que a força esteja com vocês cavaleiros.

Gehenna

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